Vítimas de violência doméstica podem pedir ajuda por telefone ao projeto ‘Justiceiras’ durante isolamento social

Publicado por Cesar Menezes, em 16 de maio de 2020, no G1 São Paulo

Após ter sua casa invadida pelo ex-companheiro em abril, *Fernanda, moradora do Rio de Janeiro e que prefere não se identificar, escreveu para o projeto Justiceiras pedindo ajuda.

“Eu pedi socorro para as Justiceiras”, diz. “Eu pedi para elas me orientarem, porque eu estava muito nervosa. Pedi socorro, ajuda: ‘Ele veio aqui e não sei como ele conseguiu acesso ao condomínio. O que eu faço?’”

Fernanda foi orientada a fazer um boletim de ocorrência virtual. Depois, ela teve que comparecer em uma delegacia da mulher para dar prosseguimento ao registro feito pela internet. Poucos dias depois, ela recebeu a medida protetiva contra o agressor na porta de sua casa. Agora, o agressor não pode mais se aproximar em menos de 300 metros da vítima nem de sua família.

O projeto Justiceiras é uma rede formada por mais de 1500 profissionais voluntárias do Brasil inteiro, como promotoras, médicas, assistentes sociais, entre outras, que oferece ajuda jurídica e psicológica à vítimas de violência doméstica.

Para pedir ajuda durante o isolamento social, a vítima deve entrar em contato pelo WhatsApp no número (11) 99639-1212.

A idealizadora do Projeto Justiceiras é a promotora de Justiça de São Paulo, Gabriela Mansur. Ela explica como funciona o pedido de ajuda.

“Ela [vítima] pode mandar uma mensagem para o número de whatsapp. Automaticamente, ela vai receber um link, que é um formulário básico que ela preenche”, explica a promotora.

O formulário preenchido pela vítima é encaminhado para as centenas de voluntárias do projeto.

“Já recebemos mais de 2 mil chamados e já encaminhamos 500 vítimas para atendimento jurídico, psicológico, socioassistencial e para uma rede de acolhimento, como se fosse a melhor amiga segurando na mão dessa mulher”, diz Mansur.

A promotora lembra que, mesmo durante a quarentena nos estados, medida para diminuir a transmissão do coronavírus, as delegacias da mulher estão funcionando normalmente.

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