INW CONECTA: Tecnologia

O 6º Encontro do Programa INW CONECTA compartilhou com jovens, adolescentes e profissionais de organizações sociais e da NWADV o tema “Tecnologia: Se está na internet é verdade?”. Como especialistas, foram convidados a Cláudia Silva, gestora na Cisco, empresa multinacional líder em TI e redes; a Dra. Ariane Vanço, sócio-diretora na NWADV, da matriz em São Paulo; a Fabi Saad, executiva de TI e do Mercado digital, atuando em 7 iniciativas de diversos segmentos; e o web designer Chester Fhellype, professor na UNIBES. A conversa foi mediada pela Dra. Anne Wilians, presidente e fundadora do INW.

Cláudia Silva conta os caminhos que atravessou para chegar onde está

Para inspirar os jovens na carreira de tecnologia, Cláudia compartilha seus 27 anos de trajetória profissional, sendo que atualmente está na gestão de pós-venda na Cisco, mas o caminho até aqui foi longo. Filha de pais humildes, ela cresceu na periferia fluminense. Sua primeira oportunidade foi aos 18 anos como datilógrafa, que era a tecnologia daquela época e nos anos seguintes teve os primeiros contatos com o computador e com a internet. Ela conta que, após quase 6 anos nesta empresa, foi desligada. “Quando se perde o primeiro emprego, você fica meio desnorteado, né? Mas eu peguei o meu currículo e fui à rua em busca de um novo. Ainda não existia os recursos de busca online como hoje. Estou falando de um mundo bem anterior a isso”

Cláudia menciona também a importância da luta da população negra na conquista do mundo do trabalho. “Nós somos a luta dos nossos ancestrais, de quem veio antes de nós. Meus pais são vivos, e meus bisavós eram escravos. Eu sempre gosto de reverenciar essas pessoas que pavimentaram o caminho para que eu chegasse até aqui. A liberdade para o nosso povo é uma coisa muito recente, sendo que no mercado de trabalho ainda há muita coisa a ser feita. Eu não acredito em meritocracia, porque não partimos do mesmo lugar” 

A profissional perpassa seu histórico e o quanto se desenvolveu pessoal e profissionalmente por meio de cada empresa em que atuou. “Cada experiência que a gente vai adquirindo no mercado de trabalho agrega experiências e conhecimentos novos. Não importa onde você trabalhe, você precisa sair de lá melhor e mais capacitado. E não tenham medo de errar, porque quem não erra não cresce”. Ela também reflete sobre a oportunidade de abraçar toda oportunidade, já que em uma das empresas onde atuou temporariamente, ela recebeu a proposta de uma vaga permanente, só que para um cargo inferior. Ela aceitou a proposta, sabendo que dentro da empresa haveria oportunidades de promoção, o que realmente aconteceu alguns meses depois. “Aqui a gente entra na questão de networking, aquela pessoa que teve uma experiência positiva contigo a ponto de, quando surgir uma oportunidade de trabalho, ela se lembrar de você. Todo encontro é oportunidade de deixar uma lembrança positiva na memória das pessoas”. E foi dessa forma, inclusive, que ela chegou na empresa onde hoje atua, tendo ingressado ao 40 anos. “A idade não é fator impeditivo se a gente tiver construído ao longo da nossa carreira instrumentos que permita uma movimentação ao longo do tempo”.

Dra. Ariane compartilha seus conhecimentos sobre fake news

Dra. Ariane inicia explicando o conceito e origem de fake news: “São notícias falsas que viralizaram entre a população como se verdade fosse. Existem históricos de fake news desde o século 19. Mas a gente precisa tratar disso com muito mais cuidado nesse momento, porque antes levava-se um tempo até que todos tomassem conhecimento de uma falsa informação, às vezes não tinha nem aderência. Agora ela é compartilhada como um rastilho de pólvora”.

Ela exemplifica fake news mencionando o caso da Fabiana Maria de Jesus, que foi linchada até a morte por supostamente sequestrar crianças para rituais de magia negra. Essa notícia teve repercussão nacional, mas era falsa. Não existia nenhuma mulher sequestrando crianças, e não se sabe como essa notícia nasceu. Outra fake news de grande proporção foram fatos surgidos após o assassinato da vereadora Marielle Franco. Nessa época, a USP fez um estudo e demonstrou que estas mensagens falsas circulam com maior frequência em grupos de WhatsApp. “As fake News nascem das mais diferentes formas, seja com manchetes sensacionalistas e contexto alterados ou por veículos de comunicação sem nenhuma credibilidade implantando notícias. E um estudo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts mostra que as fake news circulam 70% mais rápido que notícias verdadeiras. Isso porque o conteúdo é surpreendente, inusitado”

A advogada lembra que já existem sites que checam a veracidade de notícias que são muito compartilhadas, sendo que a imprensa hoje tem o papel de divulgar informação e de chegar se boatos se traduzem na realidade. Ela estimula que os jovens façam essas verificações e orientem aquelas pessoas que têm maior dificuldade, especialmente os mais velhos.

Dra. Anne Wilians pergunta como uma pessoa deve proceder caso seja alvo de uma fake news. Então, Dra Ariane amplia também para casos de cyberbullying (violência causada para uma pessoa via internet), cyberstalking (ato de perseguição virtual) e sexting (envio de conteúdos íntimos). “Vou começar pedindo que, quando vocês encontrarem esse tipo de situação, não compartilhem, não curtam. O que pode parecer engraçado pode também estar machucando alguém. Sejam solidários com os colegas de vocês. E se você está ou sabe de alguém que esteja sofrendo nesse sentido, conversem com seus pais ou responsáveis legais. Judicialmente, existem os crimes de calúnia, injúria, difamação, ameaça, extorsão. A primeira coisa que vocês devem fazer é coletar provas: guardem e-mails, mensagens, áudios. Peça pra um responsável acompanhar até um cartório e lavrar uma Ata Notarial. Procure um advogado ou defensor público e registrem boletim de ocorrência. Não fiquem envergonhados em pedir ajuda, quem tem que sentir vergonha é quem realiza essas práticas”

Fabi Saad explica como é atuar com gerenciamento tecnológico

Fabi Saad conta que iniciou sua carreira na área de tecnologia a partir de uma oportunidade de atuar com marketing alternativo, em serviços de valor agregado. Ela explica que não tem formação em programação, mas é apaixonada pela área. Hoje, ela faz a gestão de 7 aplicativos e menciona a importância de unir a tecnologia com a necessidade de entregar conteúdo de qualidade e credibilidade para todos.

Dra. Anne pergunta quais os critérios para estar nessa área, e Fabi explica: “Para trabalhar com tecnologia, você não precisa estar formado em programação. É importante participar de cursos, capacitações, workshops. Mas eu também busco trabalhar com pessoas que já tem os conhecimentos técnicos. Hoje eu tenho dificuldade em recrutar pessoas, mas não porque elas não têm as habilidades necessárias, mas porque elas têm medo da área tecnológica.”

A executiva explica o que é o Mulheres Positivas, um dos aplicativos gerenciados por ela. O aplicativo tem foco em melhorar as vida das mulheres, com base nas suas nas maiores dores, que foram levantadas por meio de uma pesquisa. Ela ainda aponta que essas dores são as mesmas, independente de classe social, região onde mora, ou profissão que ocupa.

Professor Chester menciona a importância de educar jovens para a ética

O professor Chester conta sobre a rotina de capacitação de jovens na UNIBES, organização onde atua como professor de web design, sendo que ao final do curso os jovens são encaminhados para o mercado de trabalho. Atuando na tecnologia há 20 anos, ele acredita que é dever do educador oferecer aos alunos orientação sobre o uso responsável da tecnologia e mídias digitais. “A gente tem que dizer pra eles que ser um profissional da área traz também o princípio da ética. Existem consequências de em participar ou disseminar as chamadas fake news. E isso a UNIBES desenvolve muito bem nos jovens. Antes de ter uma carreira profissional que dê resultados, é importante ter ética e postura. E eu percebo também que são poucas as meninas nessa área, então estou sempre incentivando, porque a tecnologia não é só para homens, é para todos. Eu sempre menciono a Grace Hopper que, em 1955, criou um código de programação para computador”.

Quanto ao uso da internet, o professor compartilhou o seguinte conselho, que sempre oferece também em sala de aula: “Nada fica escondido na Internet. Então tomem cuidado com tudo o que vocês fazem na rede, com o que postam e falam lá dentro. Existe uma ideia de que tudo fica coberto, mas não assim.”

Dra. Anne pergunta como ele está percebendo o mercado de trabalho da tecnologia. O professor conta que a área vem crescendo de forma imensurável. “Quando os jovens entram nessa área, eu vou mostrando as ramificações que existem para que eles possam pensar suas carreiras lá na frente. Eles podem começar com um curso profissionalizante e escolher caminhos no nível universitário em determinada área. É uma carreira que exige dedicação e muito estudo. Hoje, nós temos um ex-aluno trabalhando na Google em Dubai, então é essa trajetória que eu gosto de passar para meus educandos.”

O INW agradece a presença dos jovens, adolescentes e profissionais das organizações sociais, bem como da NWADV. Agradece também a disponibilidade dos convidados em enriquecer o aprendizado dos ouvintes, compartilhando seus conhecimentos de forma tão acessível e generosa.  

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