Se você já sentiu que sua organização foi “desclassificada sem explicação”, você não está sozinho. Em muitos casos, o projeto é bom e o impacto é claro, mas a organização falha naquilo que parceiros e editais consideram indispensável: estrutura institucional mínima e capacidade de comprovação.
Este texto é para quem já está em uma etapa mais madura: quer firmar parcerias, acessar editais e crescer com segurança, mas precisa ajustar documentação e governança para evitar travas e riscos.
Em 1 minuto: o que parceiros e editais costumam checar
Em geral, eles olham para três perguntas:
• Essa organização é regular e tem coerência documental com o que faz
• Existe governança mínima e responsabilidade institucional (quem decide, quem assina, como presta contas)
• A organização consegue apresentar documentos e evidências no prazo e no formato exigido
Quando alguma dessas respostas fica fraca, a organização tende a travar.
Por que organizações sociais travam em editais e parcerias
Não é falta de impacto. É falta de previsibilidade.
Parceiros e financiadores precisam reduzir risco. Então, além da narrativa do projeto, eles validam se a organização:
• tem estatuto coerente e diretoria regular
• consegue assinar instrumentos com segurança
• tem práticas mínimas de transparência e prestação de contas
• não depende de improvisos para comprovar informações
Diagnóstico rápido: sua organização está pronta para exigências formais?
Responda sim ou não:
• Estatuto atualizado e compatível com a atuação real
• Diretoria com mandato vigente e atas organizadas
• Representação legal clara (quem assina o quê)
• Pasta institucional acessível e organizada
• Rotina mínima de registros e prestação de contas
Se houver muitos “não”, a organização pode estar crescendo em impacto, mas ainda sem base institucional compatível.
O que é “governança mínima” na prática
Governança mínima não é burocratizar. É construir regras simples para reduzir risco e dar consistência à operação.
Na prática, governança mínima pode ser:
• decisões registradas (mesmo que em ata simples)
• papéis claros (quem decide, quem executa, quem presta contas)
• regra básica para assinaturas e movimentação financeira
• organização documental com responsável e rotina de atualização
• prestação de contas interna mínima e transparente
O ponto central é: quando a organização cresce, o “jeito informal” começa a custar caro.
As falhas que mais derrubam organizações em processos formais
1) Estatuto que não conversa com a prática
Quando o estatuto não descreve o que a organização realmente faz, parceiros podem enxergar incoerência.
2) Diretoria irregular e representação confusa
Mandato vencido, ausência de ata organizada, ou dúvida sobre quem assina. Isso trava tudo, inclusive contratos simples.
3) Documentos dispersos e “dependência de pessoa”
Quando só uma pessoa tem documentos, o risco aumenta. A organização perde agilidade e cria vulnerabilidade.
4) Prestação de contas inexistente, mesmo que simples
Parceiros não esperam “complexidade”, mas esperam algum nível de registro e transparência compatível com a responsabilidade.
O que precisa estar pronto antes de buscar parcerias e editais
Pense em duas camadas:
- núcleo documental pronto
- capacidade de apresentar e comprovar
Núcleo documental básico
- estatuto e atas principais
- diretoria e representação legal comprováveis
- CNPJ e dados cadastrais atualizados
- organização mínima de pastas e arquivos
Capacidade de comprovar
- evidências de atuação (relatos, registros, relatórios simples, fotos, links, indicadores possíveis)
- rotinas de registros e prestação de contas compatíveis com o tamanho da organização
Como organizar uma pasta institucional em 30 minutos
O modelo abaixo é simples e funciona bem:
• 1 Estatuto e atas
• 2 Diretoria e representação legal
• 3 CNPJ e dados cadastrais
• 4 Certidões e regularidade (quando aplicável)
• 5 Projetos e parcerias
• 6 Relatórios e prestação de contas
Se você fizer apenas isso, já reduz retrabalho e aumenta chance de responder bem a exigências formais.
Quando buscar apoio jurídico preventivo
Quando a organização começa a firmar parcerias, acessar recursos, celebrar termos ou crescer e percebe que a informalidade passou a gerar risco, apoio jurídico preventivo ajuda a:
• revisar estatuto e adequar cláusulas essenciais
• organizar representação legal e diretoria
• orientar instrumentos e parcerias com segurança
• reduzir riscos institucionais e para lideranças
Como o Instituto Nelson Wilians pode apoiar organizações sociais
O Instituto Nelson Wilians desenvolve o Pro Bono NW como iniciativa de fortalecimento institucional. O programa é realizado em parceria com a Nelson Wilians Advogados (NWADV), por meio de um núcleo especializado em Terceiro Setor, com atuação consultiva e gratuita para organizações sem fins lucrativos em hipossuficiência econômica, isto é, sem condições financeiras de contratar serviços jurídicos especializados.
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